Em: Meu Trabalho Pelo Acre

10 de dez de 2021

Rio Branco: Uma nova vida para a capital do Acre
Jorge Viana em campanha para prefeitura de Rio Branco
Jorge Viana obteve, nas eleições municipais de 1992, a primeira oportunidade de demonstrar na prática que a expressão “o Acre tem jeito” […]

Jorge Viana em campanha para prefeitura de Rio BrancoJorge Viana obteve, nas eleições municipais de 1992, a primeira oportunidade de demonstrar na prática que a expressão “o Acre tem jeito” não era apenas um slogan de campanha eleitoral. A prefeitura de Rio Branco, capital do estado, era um grande desafio que podia ser resumido em uma simples fórmula matemática: tinha um orçamento equivalente a um décimo do orçamento estadual para administrar uma cidade que concentrava metade da população acreana. Após vinte anos de desmatamento e desativação dos seringais, tornando-se o destino final de milhares de famílias sem trabalho, suja, desorganizada, a cidade parecia ingovernável.

Jorge Viana mostrou que estava preparado para o desafio. Incentivado por Lula, tinha feito cursos de gestão e planejamento estratégico, visitara as cidades administradas pelo PT ou que tivessem projetos inovadores. E valeu-se do conhecimento que tinha da cidade, desde a infância. Jorge lembra: “nasci e cresci numa cidade que não tinha ruas pavimentadas, nem rede de distribuição de água ou esgoto. Acho que desenvolvi desde criança um desejo de cuidar da cidade. Até nas brincadeiras, a gente construía ruas, pontes, parques… Minha geração sonhava em viver numa cidade melhor”.

Rio Branco, uma cidade de frente para o rio

A gestão de Jorge na prefeitura, sintetizada no slogan “Vida Nova na Cidade”,  representou uma grande mudança. Depois de 4 anos, a melhoria na cidade era visível e as pesquisas de opinião davam ao prefeito um dos maiores índices de aprovação do país. A melhoria não era apenas na cidade, mas também na cidadania. Jorge diz que “foi atrás de conceitos” porque não queria ter uma visão superficial dos problemas urbanos. Não lhe bastava fazer obras, construir, reformar; tinha que entender a origem e o destino da cidade, que ele sintetiza numa ideia: “Rio Branco estava perdendo as características de uma cidade amazônica e se colocando de costas para o rio Acre, tínhamos que criar áreas verdes para melhorar a qualidade de vida e colocar a cidade de frente para o rio novamente”.

Para isso, era necessário planejamento estratégico, um instrumento de gestão que era praticamente desconhecido até então. Todos os setores da administração tinham que trabalhar coordenados. E os objetivos não teriam apenas os prazos curtos de um mandato, mas prever as demandas da cidade e da população no futuro mais distante. Na educação, por exemplo, elaborou-se um plano decenal.

Um projeto demonstrativo desse novo desenvolvimento urbano foi desenvolvido, com o nome de Habitar Brasil, numa importante região da cidade, a Baixada da Sobral, que concentrava os bairros formados nos últimos dez anos pela população deslocada da floresta que ocupou de terrenos alagadiços distantes do centro. Jorge lembra do trabalho intenso: “tínhamos que fazer tudo, do saneamento à pavimentação, da reforma das casas à construção de praças, do aterramento dos terrenos à instalação das escolas e dos postos de saúde”.

Parque Chico MendesO conceito de “cidade amazônica” transformou-se em parques, praças e áreas verdes: o Horto Florestal foi ampliado e equipado, surgiram os parques Chico Mendes e Capitão Ciríaco. O Patrimônio Histórico foi recuperado: Centro Lídia Hammes, Cacimbão da Capoeira, os prédios antigos foram restaurados e passaram a abrigar serviços culturais: Escola de Música, Centro de Multimeios, Biblioteca.

“Juntamos ética e estética”, diz Jorge Viana. De fato, nas cores e formatos das novas paradas de ônibus, nas calçadas e equipamentos das novas praças e parques, no traçado das ruas, em tudo surgia e se disseminava um novo padrão estético que os empreendimentos particulares não tardaram em copiar e desenvolver. E disseminou-se, a partir da administração pública, uma noção de responsabilidade e cuidado com a cidade.

Já não se falava em “trânsito”, mas de “mobilidade urbana”. Surgiram novas linhas de ônibus, o primeiro Terminal Urbano, ruas ampliadas e pavimentadas, mas sem esquecer de construir 200 km de ciclovias. A cidade se reorganizava.

Avanços sociais e econômicos de Rio Branco

Nos tempos da Prefeitura de Rio Branco

 

Mas uma solução inovadora para problemas sociais e econômicos surgiria ainda, e ganharia destaque nacional: os Polos Agroflorestais. Jorge explica a ideia: “em decorrência das políticas fundiárias dos anos 80, um mundo de gente que veio para a cidade, e pessoas com uma mão de obra muito qualificadas para trabalhar a terra e a floresta. Só que estavam agora na cidade, empurrando um carrinho de picolé, sendo vigias de casas ou obras, era uma capacidade desperdiçada. Aí nós perguntamos: e se essas pessoas morarem perto da cidade, mas fazendo o que elas sabem fazer, e ajudando no abastecimento da cidade?”. Surgiu assim uma proposta que junta a recuperação de áreas degradadas com reflorestamento, agricultura, alimentação, promoção social… desenvolvimento integral.

Jorge sintetiza a experiência na Prefeitura de Rio Branco: “preparação antes de assumir um cargo, conhecer os problemas, buscar novos conceitos, formar uma equipe unida em torno de um plano, é disso que precisamos e, infelizmente, está faltando nos dias atuais”.

Jorge Viana é Acreano, engenheiro florestal e professor de gestão pública no IDP.
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